Entre passos

A vida não é linear e seria meio chato se assim fosse. As ruas da vida, tampouco… Um dos primeiros ensinamentos que tive com a fisioterapia foi que o equilíbrio é instável. Isso significa que a cada passo, algo novo e surpreendente pode acontecer. Entre um passo e outro na vida, a dor pode chegar, um susto, uma doença, uma alegria, uma tristeza. O desprender dos pés do chão é muito simbólico, anuncia um voo, do qual alguns não voltam, outros voltam e ficam completamente renovados. Entre um passo e  outro, uma pausa e nela a necessidade de se reorganizar, de se juntar, de falar consigo mesmo sobre tudo o que já foi caminhado. Há momentos que já mudamos, mas nos prendemos tanto naquilo que éramos, que tropeçamos na passada e precisamos dos braços, às vezes os nossos, às dos outros para nos amparar e impedir uma queda e assim o susto se alivia e em seu lugar o alivio. E é aí que descobrimos que falta preencher com algo aquilo que já passamos, para podermos realmente avançar e termos sobre onde pisar. Há ainda, entre um passo e outro, a queda. A queda, nunca é bem vist. Dói, rala, descompensa, tira pedaço. Mas ela vem como um freio entre as passadas, quando todfas as estratégias usadas para se reequilibrar falharam… e não houve nenhuma mudança no desagradável ritmo ou a insana rua que temos que atravessar. No chão, nos reavaliamos, reorganizamos os pertences caídos e focados no seguir adiante e na pronta reorganização, vamos deixando para trás o que perdemos, as dores sofridas. Muitas vezes, O truque é  esquecer o que perdemos e aprender a seguir em frente com o que nos resta. Garanto que você nunca tinha tido a dimensão do tudo que cabia entre seus dois passos….

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